quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

REVIVER



Um sopro forte, de um vendaval atroz, revolveu meu ser ao renascer.
Da vida fui cultivando virtudes, fui seivando atitudes...
Caminhei sem rumo, procurei com fé, acreditei ingenuamente, caí!
Erguendo-me, permaneci de pé.
Do topo do planalto descortinou-se o episódio, espetáculo pomposo de irremediável entendimento. 
Somente a reforma se faria com o passar do tempo.
Muitos ventos sopraram...
Muita chuva inundou corações...
A luz parecia apagada, esquecida de brilhar de novo.
Era terra revolvida, era choro de partida...
Tinha sombra sem figura, muita tristeza e amargura.
Havia revolta sem um líder a guerra desordenada de alguém que impunha a arma na espreita disfarçada.
O cansaço, a trégua consigo mesmo, o desamor por atitudes. A insolidez por incapacidade.
Mas como as frustrações não deverão ser eternas e as desilusões deverão ser banidas; 
eis que surge sem aviso, com rufar de tambores, com alegria de guizos: um sentimento maior!
Seu nome? O ar doce de cor: amor!
Dele fez-se a luz, o aconchego, a brisa, a criação e o desabrochar...
Dele reviveu a vida que se encontrava desvaída...
...também dele, o calor que derreteu o enregelamento, abrindo os olhos do recém-nascido.
Tendo nos lábios o sabor do encantamento.
Nasceu porque diante de tudo e acima de tudo, havia o calor de Deus.

(1981) 

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