Um sopro forte, de um vendaval atroz, revolveu meu ser ao renascer.
Da vida fui cultivando virtudes, fui seivando atitudes...
Caminhei sem rumo, procurei com fé, acreditei ingenuamente, caí!
Erguendo-me, permaneci de pé.
Do topo do planalto descortinou-se o episódio, espetáculo pomposo de irremediável entendimento.
Somente a reforma se faria com o passar do tempo.
Muitos ventos sopraram...
Muita chuva inundou corações...
A luz parecia apagada, esquecida de brilhar de novo.
Era terra revolvida, era choro de partida...
Tinha sombra sem figura, muita tristeza e amargura.
Havia revolta sem um líder a guerra desordenada de alguém que impunha a arma na espreita disfarçada.
O cansaço, a trégua consigo mesmo, o desamor por atitudes. A insolidez por incapacidade.
Mas como as frustrações não deverão ser eternas e as desilusões deverão ser banidas;
eis que surge sem aviso, com rufar de tambores, com alegria de guizos: um sentimento maior!
Seu nome? O ar doce de cor: amor!
Dele fez-se a luz, o aconchego, a brisa, a criação e o desabrochar...
Dele reviveu a vida que se encontrava desvaída...
...também dele, o calor que derreteu o enregelamento, abrindo os olhos do recém-nascido.
Tendo nos lábios o sabor do encantamento.
Nasceu porque diante de tudo e acima de tudo, havia o calor de Deus.
(1981)

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