domingo, 13 de dezembro de 2015

TRANSLOUCADAMENTE





O batimento dos meus olhos congela...
Diante da visão apocalíptica do momento presente,
Com todo o seu fervor...
Do presente da experiência...
Tão linda, tão terna, tão liquidificadora...

Não sei viver sem esse agito,
Sem esse calor que hora me aquece, hora me queima...

Tentativa louca de lidar com o desconhecido...
Preciso...
Trazer a tona o que há de melhor em mim, através do que há de melhor e de pior em ti...

O balanço vai e volta...
O pêndulo incansável, perdura...
A cortina cai de repente, 
se rompe, se rasga...
Nos dá o vislumbre esperado e inesperado.

Cristalinas e confusas...
Tranquilas e irrequietas...
Palpáveis e irreais...

Pudera... numa relação assim, somos mais que loucos!
Somos o arquétipo suicida que transcende a tudo que se encontra nos piores manicômios.
Tocamos na próstata e no útero da insanidade...

Transloucadamente, batemos feito britadeiras descontroladas,
Atingindo depois, bem depois, a alça do verdadeiro e único contato: na fusão...

BARBA FEITA



Sabemos da importância da barba...
Sabemos também do valor do sentir...
Sabemos o quão gostoso é mesclar...
Sabemos do amor que isso traz e do fogo que incendeia mais e mais e mais...

Sabemos...

E até fazemos...
Preocupados com limites...
Remoendo a superficialidade sempre presente, mas que loucamente 
tentamos escapar 

Esperando o milagre...
Sabemos do milagre 
Acreditamos nele!

No dia em que finalmente vamos nos tocar, bem lá no fundo, 
onde jamais alguém ousou..
Sinto você melhor assim, mas nem sei se é mesmo, vou passar ela em você 
Experimentar...

Te toco suavemente 

Ela arranha, mas também acorda
Incomoda por fazer lembrar prazeres 
esquecidos em nós. 
Outra forma de tocar
Um estímulo novo
Uma honra ao masculino 
Que se deixar, vai te fazer lembrar 
daquilo que era tão bom e foi deixado 
pra lá, não pressa de chegar não sei onde

Vamos ficar aqui juntinhos 
Sem pressa, sem pudor, deixando 
a vida transcorrer, discorrer, desdizer 

A senha está dada senhora 
Dá-me a mão agora, aperta um pouco mais 
Sinta meu coração batendo nela
Forte, pulsante, por vezes aflito, afoito, bêbado, não sei.

Só quero ficar aqui contigo 
Sem precisar fazer a barba sempre 
Nós sabemos bem o que ela faz
E algumas vezes vou querer que você 
faça. A barba e outras coisas mais.

Uma nova forma de sentir o manejo 
das suas cálidas mãos. Um presente.
E assim ligamos, o sagrado e o profano 
E nos deliciamos neles. Eternamente.