domingo, 8 de janeiro de 2012

LIVRO DE CABECEIRA



Uma folha, uma página apenas...
Não desejaria ser do livro que mandastes um dia alguém mudar,
para que outro livro pudesse folhear...
Não queria ser também este livro novo, cheio de mistérios talvez,
cuja as páginas se envolvessem de paixões repentinas e volúveis encantos.
De momentos de arrobo e ilusões...
Não queria ser este livro novo que apenas folheastes com avidez de lê-lo às pressas,
para que ao fim chegasses e nele encontrasses aquele desfecho banal...
Que cada personagem tivesse seguido um rumo diferente.
Quero sim ser aquele volume que de tanto manuseá-lo a cada instante de deleite,
em tua cabeceira estar, encontrando sempre ao reler, trechos preferidos,
encantos renovados, páginas repetidas e filosofias aprendidas.
Cada vez melhor na prática da leitura, tenho certeza saberias de cor.
Ias ler com mais ternura ao recordar a frase dita com tanto afeto
quando da vez primeira quiseste partilhar um só teto.
As viagens imaginárias, as revoadas de amor, o céu cor de rosa e um sol a se pôr...
Queria sim!
Queria ser também a única ilustração deste livro de saudade, deste volume de amizade...
Ser todos os capítulos do mais intenso amor!
Lembra, lembra bem: quero ser sempre este livro companheiro, único e derradeiro!...

1982

MEU TRAVESSEIRO



Na escuridão da noite...
Na escuridão de minha noite insone...
Em ti deposito minha cabeça cansada...
Todos os meus pensamentos aflitos...
Tu! os sentes tão palpitantes! Tão em contato contigo!
Quase palpáveis, meu travesseiro querido!
Não contes a ninguém minhas noites tristes...
As coisas que a ninguém foram ditas e que só a ti foram confiadas.
Guarda com carinho minhas lágrimas quentes vertidas e em teu interior depositadas...
Não contes a ninguém que choro baixinho, que soluço escondidinho...
Que meus lábios colados a ti dizem tudo, tudo que sinto!
Falando contigo o que para ninguém eu falo...
Não contes a ninguém que eu não sou aquela criatura barulhenta e alegre.
Que eu sou apenas um mito...
Não digas que sou aquele fracasso...

1981

QUERO TE AMAR!



Quero te amar, porque este amor é vida!!!
Quero te amar mantendo esta chama sempre acesa dentro de meu ser...
Porque te amando eu me renovo assim.
Eu sou como um arvoredo que se renova com sua própria seiva;
que em cada folha caída, outra mais nova aparece...
Renascendo na ânsia de viver!
É por isso que eu te amo,
porque te amando, eu sinto a força de viver!

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

MAL INCURÁVEL



Este amor é febre que queima meu corpo!
É delírio que me faz convulsivo pronunciar teu nome.
É paixão que se agita e me enlouquece!
Faz minha alma aflita chamar por ti, dormindo...
E acordar sorrindo depois de contigo sonhar...
É este amor que me mata aos poucos e faz-me reviver,
cada vez que em mim, pousas teu olhar...
Este amor é febre que me acaricia,
que me deixa doente de alegria,
quando penso em te beijar.

1981

BELA E NUA



Nuvens ligeiras arrumavam o céu para a tua chegada...
Na praia a brisa varria a areia como tapete fofo, onde irias passar...
Uma silhueta apenas delineada contra o céu fazendo fundo estrelado,
E o luar raiando forte a lhe chamar.
Parada. A minha espera.
Cabelos ao vento, figura imponente, tendo apenas como veste, o fino anel do compromisso...
Era mulher em forma de desejo.
Era lampejo, tropel desenfreado, de uma amor transfigurado...
Volúpia da noite, bem passada; era ela a minha amada que bela e nua eu envolvia em meus braços...
E docemente se entregava, envolta no perfume do luar.
Ela me pedia que a sufocasse entre beijos, até desfalecer, com o sol, de uma manhã raiada...

SIMPLESMENTE



Vamos deixar o pôr-do-sol de lado,
O crepúsculo misterioso...
O cantar de pássaros a fazer fundo para o nosso amor.
Não vamos marcar hora,
Porque o tempo, embora sem tempo, é todo nosso!
Deixaremos o impossível para conseguir o difícil...
Amaremos simplesmente...
Porque precisamos amar!
Eu em seus braços, nos integrando na plenitude de um êxtase...
...que nos leva ao infinito, na embarcação de um beijo.

Fev. 1986

VERDADE DA VIDA



Sai da distância, do tempo.
Desce o degrau da ilusão, dá-me a mão, leva -me a esperança maior!
Diz sorrindo que me ama, fala de manso...  respira o luar...
Dá-me um beijo que fique na lembrança, roubado da saudade para me presentear...
Olha-me nos olhos!
Fala se és capaz!
Que a saudade não existe, que o amor é coisa velha e que carinhos não se usam mais...
Confirma na indiferença de criatura vivida, que não chorastes jamais de memórias felizes;
querendo repassar nas horas o que sabes não voltar...
Diz que não sentes o tempo!
Que não te pesam as horas de solidão.
Que nem é sentimental.
Que passado é passado que não pode retornar.
Confirmas, se és capaz, de nunca ter visto a silhueta da pessoa amada, na face brilhante da lua...
Se negares tudo isso, se nada te tocou deveras, começa a sentir agora!
Porque se não, passaste pela vida sem viver.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

EVOCAÇÃO


Longa é a noite que mil estrelas conto.
No céu a palidez branca da lua, qual nossa separação: cruel, amarga, crua.
Em mim a esperança esmaecida recorda a imagem amada e o sonho inatingido.
Noite fria, sem princípio, sem fim...
Minha alma de tristeza umedecida em uma lágrima revive o amor de outrora.
Noite de estrelas, orvalhada de pranto...
Dentro da noite, uma saudade tua,
dentro de mim, o amor que não morreu...

Junho de 1981

REVIVER



Um sopro forte, de um vendaval atroz, revolveu meu ser ao renascer.
Da vida fui cultivando virtudes, fui seivando atitudes...
Caminhei sem rumo, procurei com fé, acreditei ingenuamente, caí!
Erguendo-me, permaneci de pé.
Do topo do planalto descortinou-se o episódio, espetáculo pomposo de irremediável entendimento. 
Somente a reforma se faria com o passar do tempo.
Muitos ventos sopraram...
Muita chuva inundou corações...
A luz parecia apagada, esquecida de brilhar de novo.
Era terra revolvida, era choro de partida...
Tinha sombra sem figura, muita tristeza e amargura.
Havia revolta sem um líder a guerra desordenada de alguém que impunha a arma na espreita disfarçada.
O cansaço, a trégua consigo mesmo, o desamor por atitudes. A insolidez por incapacidade.
Mas como as frustrações não deverão ser eternas e as desilusões deverão ser banidas; 
eis que surge sem aviso, com rufar de tambores, com alegria de guizos: um sentimento maior!
Seu nome? O ar doce de cor: amor!
Dele fez-se a luz, o aconchego, a brisa, a criação e o desabrochar...
Dele reviveu a vida que se encontrava desvaída...
...também dele, o calor que derreteu o enregelamento, abrindo os olhos do recém-nascido.
Tendo nos lábios o sabor do encantamento.
Nasceu porque diante de tudo e acima de tudo, havia o calor de Deus.

(1981)