sábado, 4 de junho de 2011
SE FOSSE VERDADE
Se isso é amor, eu amo!
Amo alguém que não existe em minha vida.
Amo com fé, com esperança e sinto-me deveras embevecido...
É força do pensamento, desejo de ser amado ou possuir, não sei.
Sei que existe em mim essa loucura, esse desejo imenso de ser querido,
de estar no pensamento de alguém, desejando estar na minha vida,
fazendo parte do meu pensamento...
Derrepente caio na realidade, estou só, tão só que escuto no silêncio,
escuto as batidas do meu coração...
Sinto então uma saudade imensa de ser amado...
De ouvir essas palavras bonitas que se escuta na penumbra
de uma noite maravilhosa de amor.
Meu coração aí bate com mais força, me alertando,
me mostrando a verdade do que existe,
dizendo que eu não sonhe, que isso não é amor...
(1981)
ANSEIOS.
Quero os teus risos de infinitos gozos, são perfumadas e embriagantes teias...
Quero enlaçar teu corpo com as cadeias ardentes de meus braços amorosos!
Quero incendiar de beijos voluptuosos o sangue que circula em tuas veias!
E este fogo do amor que em mim ateias, acender em teus olhos luminosos
Porque tem sido sempre em meus amores, vênerosas, as mais fragrantes flores.
E meus dias, noites e temporais.
Jamais hei de esquecer as horas belas.
Sempre arrastam folhas amarelas,
As paixões loucas como vendavais...
(1981)
GUARDA-ME EM TEUS BRAÇOS!
Guarda-me em teus braços!
Não deixes que meu corpo sinta o frio de uma indiferença...
Que outro sabor de beijos quentes
não tenham para mim o calor dos lábios teus.
Guarda-me em teus braços!
Sei que meu ser anseia uma presença
na ausência de tua alma distante.
Se sentires que a alma aos poucos vai fugindo,
não permita que outra de mim se aproxime,
e que mate a saudade que me acena de longe um lenço branco.
Guarda-me em teus braços!
Não deixes que fuja de mim o teu carinho,
para que outro olhar não tenha no meu olhar guarita...
Guarda-me em teus braços!
Não permita que eu sinta a solidão
e que procure no anseio do abandono
uma nova existência em uma outra vida.
Guarda-me em teus braços!
Guarda-me em todos os instantes!
Guarda-me sempre!
Para toda a vida...
(1981)
sexta-feira, 3 de junho de 2011
DÚVIDAS
Se para firmar-te de meu amor,
te corrói a dúvida, por favor, duvida sempre!
Que te sentirei fremente, mais presa a meus meneios...
Se a minha própria sombra te deixou enciumada, continua!
Sei que sou um ser bem-amado e esta atitude me envaidece.
Mas se apenas sentes falta de minha presença física,
não lembras de mim na ausência, juro que me entristeço.
Porque quero ser visível mesmo na distância...
Ser lembrado sem música a tocar.
Quero ser ela própria, ser inspiração em ritmo de canção.
Quero ser os momentos felizes que já se foram
E desejo ser também os que virão...
Quero ser a saudade do que ainda irás buscar,
Não quero somente que de meu amor fiques a duvidar...
(1981)
TRANSFIGURAÇÃO
É tarde. O sol brilha lá fora...
Longe de mim e do meu peito,
Uma tristeza vai chegando de mansinho,
Sem despertar a atenção de ninguém.
Se ainda desse para chorar ou rir bem alto
Não adianta olhar pra mim, não vou parar de viver...
É tudo tão vulgar!
As pessoas em volta, meu verso caótico,
Minha tristeza cerimoniosa...
Tudo tão vulgar!
Um riso anônimo e tímido
Uma palavra distorcida chega aos meus ouvidos.
Só o poeta escreve para calar os soluços lânguidos
Numa tentativa quase patética de sorrir novamente.
Olhei para você, com o olhar mais enternecido
para que só você entendesse e olhasse.
Estive presente para falar ou calar e também me ouvir...
Estamos todos trancados e amarrados ao nosso ego, inconsciente.
Sei que minha poesia está cheia de pausas, de espaços, de cercas.
Preciso libertar minha poesia para que ela me liberte...
Me abra as mãos,
Me abrace como fazia antigamente...
(1981)
NOITE DAS OLHEIRAS
Contemplando o busto esbelto e claro,
Repouso de esperanças e de anseios...
Temo perder-te entre nervoso e avaro, julgo morrer!
Se avultam os meus receios!
Nos teus cabelos um perfume raro a disparar o coração sem freios...
E após beijar-te amor somente paro, para beijar-te mais! sem mais rodeios...
Entretanto o que omiti, com mil perdões,
Digo lendo-te os olhos de veludo, na expressão e atitudes costumeiras...
Um momento, e estarás a par de tudo,
Pois certo nem de leve pressupõe,
Que te amo a eterna noite das olheiras!
1981
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