sexta-feira, 3 de junho de 2011
TRANSFIGURAÇÃO
É tarde. O sol brilha lá fora...
Longe de mim e do meu peito,
Uma tristeza vai chegando de mansinho,
Sem despertar a atenção de ninguém.
Se ainda desse para chorar ou rir bem alto
Não adianta olhar pra mim, não vou parar de viver...
É tudo tão vulgar!
As pessoas em volta, meu verso caótico,
Minha tristeza cerimoniosa...
Tudo tão vulgar!
Um riso anônimo e tímido
Uma palavra distorcida chega aos meus ouvidos.
Só o poeta escreve para calar os soluços lânguidos
Numa tentativa quase patética de sorrir novamente.
Olhei para você, com o olhar mais enternecido
para que só você entendesse e olhasse.
Estive presente para falar ou calar e também me ouvir...
Estamos todos trancados e amarrados ao nosso ego, inconsciente.
Sei que minha poesia está cheia de pausas, de espaços, de cercas.
Preciso libertar minha poesia para que ela me liberte...
Me abra as mãos,
Me abrace como fazia antigamente...
(1981)
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